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Thursday, October 14, 2010

Studio Art, cerveja artesanal, jazz e Céu



Se tem alguém que desde o início me ajudou com o projeto de viabilizar a versão em inglês do meu livro na Austrália, essa pessoa é a Marcia Monje. Chegamos perto de trazer um grupo de xavantes pra cá, mas por questões burocráticas não rolou. O projeto, por ora, está parado, mas no dia em que as limitações do visto de estudante se tornarem coisas do passado, ele volta com tudo.

Citei a Marcia porque neste final de semana ela concretizará um projeto maravilhoso que desenvolveu com o australiano Chris Lamaro, o Start Studio Arts Fest.



A ideia é simples: levar o público para dentro dos estúdios e ateliers dos artistas.

Pra isso, ela reuniu 92 artistas de renome, que estão espalhados por 16 estúdios em 10 subúrbios. Levemente megalomaníaco, mas sensacional.

O Start Studio Arts Fest acontece neste sábado e domingo, das 10h às 17h, em Annandale, East Sydney, Leichhardt, Lilyfield, Mosman, Newtown, Redfern, Rozelle, St Peters, Surry Hills e Alexandria.

A entrada é grátis e quem não for não vai para o Céu. É sério!

Dica: tentem passar no de Mosman (Headland Park 1100A Middle Head Road), que segundo ela é fantástico.

Site



Neste sábado e domingo, também tem festival de cerveja.

The Australian Heritage Hotel, um dos pubs mais emblemáticos de The Rocks, promove a sexta edição do seu tradicionalíssimo The Australian Beer & Wine Festival, das 12h às 20h.

Dica: esqueçam o vinho, foquem na cerveja.

Estará participando a nata das cervejarias artesanais (ou de boutique, se preferirem) do terceiro continente à sua escolha, incluindo: 4 Pines, Little Creatures, McLaren Vale, Scharers, Matilda Bay, Blue Tongue, Stone & Wood, Fusion, Endeavour, James Squire e Balmain.

A entrada é grátis, 10 tickets de degustação custam $10 e a caneca $5. Quem não for, claro, não vai para o Céu. Quem for, o espírito subirá e o corpo ficará muito bem servido aqui em baixo.

Site



Também no sábado e domingo, em Balmain e Rozelle, fechando a semana gastronômica que rolou na nobre área, vai ter jazz ao vivo com trio de sax, piano e contra-baixo, das 11h às 14h. Para saber o local exato, clique aqui.



Arte, cerveja artesanal, jazz e, com certeza, muita mulher bonita. Deve ser isso o que chamam de paraíso. Quem não for, já sabe...

Aliás, no domingo, Mary MacKillop será canonizada no Vaticano, tornando-se a primeira santa australiana. Não preciso dizer mais nada.



Amém!

Friday, July 23, 2010

Pizza, massa, vinho, café e música



Já que o final de semana está apenas começando, vamos a algumas dicas.

A primeira é para quem quer comer uma ótima pizza ou massa, sem gastar muito. De fato, são duas e-p-e-t-a-c-u-l-a-r-e-s opções, ambas na mesma rua, porém em bairros diferentes.

Uma delas (e minha preferida) é o Bar Reggio, restaurante bem ao estilo das cantinas paulistanas, mas down under, que serve pizzas e massas sensacionais por preços muito em conta (risotos a $16, nhoque boscaioli a $13 e pizza grande na faixa de $14 a $20). Mais! Eles são BYO, portanto você pode consultar o Guia de Vinho daqui do blog, ir nas subcategorias Jantar BYO ou Para harmonizar com comida italiana e ter uma noite feliz.

O Bar Reggio está no coração de Darlinghurst (135 Crown St), descendo a Oxford St na direção da City, à direita. Lé tem brasileiros muito gente fina trabalhando, em especial o Guilherme, e reserva é fundamental!

Se fizer o mesmo, ou seja, descer a Oxford, mas entrar à esquerda na Crown St, lá no meio de Surry Hills, no #500, você vai encontrar o Pizza e Birra. Os caras não são tão baratos quanto o Reggio, mas também são bem em conta (os pratos principais variam de $19 a $35). O ambiente é bem mais sofisticado do que o primo italiano de Darlinghurst, porém é tão barulhento quanto, o espaço entre as mesas é muito pequeno, enfim, o caos é o mesmo e a satisfação idem.

Lá não é BYO, mas eles possuem uma carta de vinhos muito bacana, com bom mix entre botejas italianas e australianas. Pode ir sem medo em qualquer uma na faixa entre $45 e $55 (não há necessidade de ir nos vinhos mais caros) que será feliz. Bem, não 100% feliz, pois se você tiver a infelicidade de ser servido por um garçom italiano que é todo engraçadinho - e faz um péssimo serviço de vinho - ficará levemente irritado, mas no final tudo vai dar certo. Ah, parece que eles produzem a própria cerveja - por isso o nome -, mas ainda não testei. Assim que tomá-las, escrevo sobre. Reserva também é essencial.

Para quem ama café, que é o meu caso, amanhã, em The Rocks, o bairro mais fantástico do mundo, vai rolar mais uma edição do The Rocks Aroma Festival, oportunidade única para conhecer a maior quantidade possível de cafés, chás, chocolates e especiarias, pagando pouco. Eu estarei lá e depois sigo para o The Hero of Waterloo (81 Lower Fort Street), meu pub número 1 no planeta, onde passarei a tarde ouvindo jazz ao vivo. Quem estiver por aquelas bandas, é só me ligar ou me encontrar lá. O Aroma Festival vai das 10 às 17h, já a Old Time Jazz, no The Hero, toca das 14 às 18h.

E fechando o domingão, a partir das 18h, no Beach Road (Bondi Beach), rola o Cultura Bondi, a missa domenical organizada pelos cardeais da Fibra Entertainment Fernando Jatobá e Igor Andrade. A atração de amanhã será o Samba Groove, banda do craque da percussão Rafael Hora que tem Andrezinho no cavaquinho. E nas pick-ups, DJ Leo "Forlán Suarez" Chaibún, o uruguaio mais brasileiro do terceiro continente à sua escolha. Im-per-dí-vel!

Saturday, March 27, 2010

Wine Fair no Overseas Passenger Terminal

São quase 9 horas da manhã e daqui a pouco vou abrir o bar. Na verdade, a adega! Mas antes que liguem para o AAA, explico.



A partir das 11 horas, no Overseas Passenger Terminal, lá na Circular Quay, lado oeste (The Rocks), vai começar o segundo e último dia da International Wine Fair, feira de vinho promovida pela Vintage Cellars, um dos meus "suppliers" oficiais.



International Fair porque em vez de vinhos australianos, nesta feira eles reúnem a grande maioria dos produtores estrangeiros que representam e mostram as novas safras, além de alguns canhõezinhos mais antigos que já estão na hora de serem abertos.



A Vintage Cellars está espalhada por todos os estados e territórios da Austrália, portanto, aonde você estiver, haverá uma loja por perto. E esse é justamente o bacana da feira, pois por apenas $25 (isso mesmo, vinte e cinco doletas), você experimenta praticamente todos os vinhos importados que estarão à venda este ano, podendo marcar o que gosta, o que não gosta, qual não é tão bom mas vale pelo preço, qual jamais comprará etc.



E na pior das hipóteses, mesmo que não saiba absolutamente nada de vinho e chame todo espumante de champagne, no mínimo, você tomará quantidade e diversidade que jamais tomou na vida, além de conhecer o Overseas Passenger Terminal, que tem bela vista para a harbour, para a ponte e Opera House. Ainda mais neste domingão ensolarado!

A feira vai das 11h às 17h e os ingressos podem ser comprados na porta. Veja os principais produtores:

França
Cattier
Chablisienne
Gratien & Meyer
Les Nuages
Maison Champy
Pommery
Saint Cosme
Vidal Fleury

Itália
Cusumano
Musella
Portone
Romitorio
Ruffino
Tramin

Espanha
Bodegas y Vindos Tabula
Martin Codax
Segura Viudas
Tandem Navarra

Portugal
Casa Santos Lima

Chile
Casillero del Diablo
Cono Sur

Nova Zelândia
Blind River
Murdoch James
New Yealands
Peregrine
Selaks
Vavasour
Wairau River

Saturday, October 17, 2009

A cara de Sydney



Ontem passamos a tarde tomando vinho em Paddindgton, sentados na grama e ouvindo jazz ao vivo. Era o East Village Jazz Festival, organizado pela ótima rádio comunitária East Side FM (aquela mesma onde participei de um programa em homenagem ao Tim Maia).

O festival é parte do Art & About Festival, que acontece em vários pontos da cidade durante algumas semanas e é quase tudo ao ar livre - a cara de Sydney.



Mas nada é mais emblemático do que um evento novo que acontecerá na próxima semana, na Harbour Bridge. Aproveitando os embalos da primavera, no domingão, 25 de outubro, fecharão a ponte para o Breakfast on the Bridge.

Isso mesmo! O asfalto será coberto com placas de grama e, entre 6h30 e 8h30, 6 mil pessoas tomarão café da manhã em cima da ponte. Simplesmente sensacional e a cara da cidade.

E no mesmo dia, o Australia Hotel, em The Rocks, fará o seu tradicional Australian Beer Festival, que reunirá mais de 120 produtores. Nesse caso, a cara do australiano.



Eu, que amo a cidade e o estilo de vida australiano, juntarei os dois e tomarei cerveja de café da manhã na ponte. A minha cara!

Monday, June 1, 2009

Spiderman in Sydney



Mais pendurando do que o Tom Cruise no início de Missão Impossível II, mais baixo do que o Nicolas Sarkozy ao lado da Carla Bruni e com mais passagens pela polícia do que os jogadores australianos de rugby, ele é: THE REAL SPIDERMAN!



O verdadeiro Homem-Aranha, Alain Robert, aquele francês baixinho que é a cara do baterista do Iron Maiden e vive escalando os prédios mais altos do mundo, causando tumulto por onde passa e sendo preso na sequência, esteve em Sydney esta manhã.



Mantendo o script, ele escalou os 41 andares do Royal Bank of Scotland, obrigou a polícia a fechar as ruas nos arredores e foi direto pra delega de The Rocks (tecnicamente, a minha preferida).



O curioso na aparição foi a atitude de alguns policiais. Enquanto uns tiras se mobilizavam para prendê-lo, outros, no melhor estilo australiano, ou seja, boas praças e fanfarrões, não hesitaram em aplaudi-lo com a multidão no momento em que o francês alcançou o topo do prédio.



Parecia final feliz de filme de Hollywood. Mais um pouquinho, começaria uma cena de musical em pleno centro da cidade. Mas, felizmente, ninguém saiu dançando, cantando, fazendo coreografias e caretas pelas ruas (detesto números musicais).


Assim que começa um musical

Na delegacia de The Rocks, o Homem-Aranha adiantou o próximo destino: Santo Amaro, em São Paulo. Ele prometeu escalar o Borba Gato. Duvido que consiga!

Tuesday, May 26, 2009

Vivid Sydney 2009



De hoje até 14 de junho, alguns cartões postais de Sydney como a Opera House e o Museum of Contemporary Art ganharão luzes transadas, musiquinhas bacanas e outras modernices politicamente corretas, incluindo aí luzes que consomem pouca energia. Tudo faz parte do Vivid Sydney – A Festival of Music, Light & Ideas (é a cara da cidade!).

Sinceramente, não sei exatamente o que é, como vai ser e pra onde vai, mas o responsável pela concepção artística é o renomado músico e produtor britânico Brian Eno (ouçam o álbum Here Comes The Warm Jets), que entre outros trabalhos já produziu ótimos álbuns dos grandes David Bowie e Talking Heads. Ou seja, no fundo vai ser legal!


Museum of Contemporary Art

Mesmo assim, se vocês ainda não se animaram para sair de casa, a PablitonaOzzylandTour preparou um roteirinho especial, o Vivid Sydney The Rocks – A Festival of Jazz, Fun & Lots of Beers.

Primeiro, desçam na Circular Quay e vão até a Opera House. Vejam, admiram e depois sigam para o lado oposto. Antes de chegarem na Harbour Bridge, vejam e admiram o Museum of Contemporary Art, façam o mesmo nas “instalações” (detesto este termo usado em arte) que estão ao lado e subam a escadinha da felicidade (também conhecida como degraus da boemia), que vai para a George Street. Pronto! Bem-vindos à The Rocks, o mais antigo e melhor bairro da Austrália.


Argyle Cut

Na George, entrem à direita, passem pelo Orient Hotel – um perigo – e entrem à esquerda na Argyle. Quando passarem pelo Argyle Cut, vejam e admiram, pois também estará iluminado. Continuem subindo a rua, entrem à direita e depois novamente à direita. BINGO!

Bem-vindos ao The Hero of Waterloo – o primeiro e melhor pub da Austrália. Lá, esqueçam a Opera House e o Museum of Contemporary Art, e peçam uma cerveja para o Steve. Se for sábado ou domingo, das 14h às 18h, esqueçam também o Brian Eno, pois estará rolando jazz da melhor qualidade com a banda Old Time Jazz, dos meus chapas Valda Marshall e Brad “Fafau” Madigan. Aí é só relaxar, beber e se divertir!



Para maiores informações sobre a verdadeira: http://vividsydney.com/

Monday, March 30, 2009

The Rocks to Bondi – A Maratona dos Pubs



Matéria publicada na edição 3 (fev/mar 09) da Radar Magazine, em Sydney e Gold Coast.

Existem várias maneiras de se conhecer uma cidade. Entre elas, uma das mais divertidas é percorrer os principais bairros e avenidas à pé, parando em alguns dos pubs mais emblemáticos de cada área. Em Sydney, uma epopéia dessas deve começar obrigatoriamente em The Rocks, o bairro mais antigo da cidade, e terminar em Bondi Beach, a praia mais popular e badalada da Austrália.



Apesar da distância – aproximadamente 15 km – a missão não exige muitos preparativos. Apenas uma idéia do itinerário, tênis confortáveis, amigos que não bebem leite, alguns dólares na carteira e um domingo ensolarado. Nem mesmo garrafinha d’água é necessário, uma vez que em New South Wales os pubs são obrigados a fornecer água aos clientes.

Para não queimar a maratona logo na largada, adotamos uma única regra: beber somente uma cerveja por pub. Caso contrário, não sairíamos de The Rocks.

O mais antigo
Sim! The Rocks é o lugar. É lá que estão, não só os pubs mais tradicionais e agradáveis, como a história da cidade, o início da colonização na Austrália e a polêmica mais importante desde a chegada do Captain Cook: qual é o pub mais antigo de Sydney (talvez da Austrália)?



A resposta, a princípio, é encontrada no Fortune of War, o pub em que propositalmente fizemos o primeiro brinde às 11h37 da manhã. Fortune of War e Lord Nelson brigam há mais de 100 anos pelo posto, tendo o Fortune vencido a última batalha ao provar que sua licença para vender bebida alcoólica é a mais antiga, datada de 1828. Mas se no quesito “idade” ele leva a melhor, na categoria “sentar e beber” o Lord está anos-luz à frente.



Com uma pequena linha de produção dentro do pub, eles fabricam a própria cerveja. E que cerveja! A segunda gelada do dia foi a Old Admiral, um canhão escuro com 6.1% de álcool. O lugar, construído em 1836 com pedras das redondezas, preserva a atmosfera colonial do início do século XIX, período em que The Rocks cresceu rapidamente ao lado da principal baía de acesso a Sydney, tornando-se o epicentro da boemia com tavernas, pubs, bordéis, gangues e muita confusão.



Um pouco desta época veio à tona na terceira cerveja, tomada no The Hero of Waterloo, pub que guarda muita história no subsolo. Basta uma descida para encontrar túneis por onde era contrabandeado rum, e correntes usadas para amarrar bêbados. Quanto à secular polêmica, reza a lenda que este sim é o pub mais antigo, uma vez que foi aberto em 1801 e até hoje está no mesmo lugar, só não sendo reconhecido porque nos primeiros 40 anos vendia bebida sem licença.




O escolhido pra fechar The Rocks foi o Australian Hotel, pub grande, de esquina, com mesinhas na calçada e notório pela enorme variedade de cervejas. Experimentei a Sebastian Reserve, ótima escura produzida pela Matilda Bay Brewing, empresa do oeste australiano.

Por uma questão de logística, seguimos pela George St, a rua mais antiga da Austrália. Establishment e Forbes, dois pubs que faziam parte dos planos, estavam fechados, o que ajudou a evitar os efeitos de, até então, 1845 ml de cerveja. Localizados no centro financeiro da cidade, próximos de Martin Place, eles lotam nas happy hours de segunda a sexta.



Seguindo pela George, paramos no Three Wise Monkeys, pub onde rola som ao vivo todos os dias. Como o relógio se aproximava das três, decretamos hora do almoço. Em vez do tradicional steak com mash potato, clássico dos pubs, fomos de lamb shank e beef pie. Bons, mas nada especiais. Serviram mais para manter o corpo em condições de prosseguir, e para quebrarmos a única regra do dia sapecando duas cervejas enquanto esperávamos os pratos.



Do outro lado da George St, um quarteirão a frente, fizemos a parada mais divertida: Scruffy Murphy’s, irish pub onde centenas de irlandeses se acotovelavam com seus tênis brancos para acompanhar uma decisão de boxe. Por motivos óbvio, fomos de Guiness, até então a cerveja mais barata: $ 5 a pint (copo de 570 ml). As outras, além de mais caras, eram schooner (475 ml) – exceto a Old Admiral.



Subindo
A idéia original era terminar a tour no mesmo dia e, de preferência, vivos. Para isso, decidimos otimizar o percurso seguindo para Bondi via Oxford St, eliminando pubs como Crown Hotel, em Surry Hills, e Coogee Bay e Palace Hotel, em Coogee. A essa altura o placar marcava cerca de 5.2 km percorridos, 6 pubs e 7 cervejas, num total de 3265 ml.


A subida começou em Darlinghurst, bairro bastante colorido. Na verdade, um arco-íris de cores, já que é um dos principais redutos da grande população GLS de Sydney. A diversidade étnica, cultural e sexual é uma das marcas da cidade, o que nos levou ao The Colombian, um dos mais famosos. Duas coisas nos chamaram a atenção: o preço da cerveja – apenas 4.70 – a mais barata de toda a jornada; e o isqueiro temático do barman, que trazia a foto de um “princeso” nu.



Continuamos na Oxford St, agora em Paddington, uma das áreas residenciais mais antigas da Austrália. O bairro possui forte herança colonial, mas assume ares modernos e cosmopolita nas lojas de grife e restaurantes estrelados. Exemplo deste contraste está nos pubs que visitamos. O The 3 Weeds, que eu nunca ouvira falar, foi batizado pelos ex-prisioneiros ingleses e irlandeses que o frequentavam no final do século XIX. Experimentei uma cerveja à base de mel chamada Beez Neez que, por pouco, não a incorporei no meu café da manhã diário (acompanhada de iogurte e cereais deve ser uma delícia).



Já o Fringe Bar, como o próprio nome diz, está mais pra bar do que pra pub, tanto que foi o único a cobrar entrada: $ 8 com direito a uma cerveja e banda ao vivo (que tocava para os pais, irmãos e amigos bem próximos). Na travessa de cima, Glenmore Rd, fomos ao Durty Nelly's, típico pub irlandês frequentado por gente do bairro. O lugar, além de muito bacana, tem o segurança mais simpático (o que é raro).



Fechando a subida da Oxford St, paramos no Paddington Inn e no The Light Brigade, este segundo já em Woollahra. Os dois são no estilo do Fringe Bar, moderninhos e mais bar/balada do que pub. Quando deixamos o Brigade, o céu já havia escurecido e o placar apontava cerca de 10.2 km percorridos, 11 pubs e 12 cervejas, num total de 5960 ml. Agora andaríamos uns 2 km até Bondi Junction para iniciarmos a conclusão da jornada.

Saideira
O primeiro pub que tentamos entrar foi o Cock n’ Bull, ponto de encontro de irlandeses, ingleses e milhares de estudantes internacionais que vivem e estudam nos arredores. Infelizmente, fomos barrados pois uma de nossas convivas estava sem documento com foto. Seguimos então para o Tea Gardens, outro popular pub irlandês onde tomamos a última cerveja antes da descida final.

A dúvida era: Old South Road ou Bondi Road? Optamos pela segunda e encaramos mais 3 km de caminhada com a idéia de passarmos primeiro no Beach Road, pub frequentado principalmente por quem mora em Bondi (incluindo dúzias de brasileiros). Mas conforme nos aproximamos, vimos que a tradicional procissão Beach Road/Bondi Hotel já havia começado, o que significa que o pub estava fechando e restara somente um destino.



Nossa fotógrafa

Passava das 23 horas quando brindamos na parte de fora do Bondi Hotel, de frente para o mar. Das 6 pessoas que iniciaram a jornada, 3 chegaram. A fotógrafa Fernanda Cury e o casal Tércio Raddatz e Jana Rodrigues só puderam nos acompanhar até o The Colombian. À mesa, eu e os heróicos Alexandre Monteiro e Mariana Peres, mais uma vez, quebramos a única regra do dia pedindo a tradicional saideira (afinal, ninguém é de ferro). Com a sensação de dever cumprido, passamos a régua na maratona de quase 12 horas, 14 pubs, 15 km e 16 cervejas, numa bagatela total de 7235 ml. Cheers!



Wednesday, December 17, 2008

32 no The Hero - Viva The Rocks!



Para comemorar 32 anos a passeio, escolhi o meu pub preferido de Sydney, The Hero of Waterloo, no dia em que toca a minha banda preferida da Oceania, a Old Time Jazz (AC/DC vem em seguida). Tudo, claro, em The Rocks, o bairro número 1 da Austrália.

Em um dos posts de setembro, além de afirmar que sou um the rocker, também disse que o Lord Nelson é o pub mais antigo da cidade (talvez do país). Bobagem! Oficialmente, ele é o segundo, o primeiro é o Fortune of War, que provou ter a licença de funcionamento mais antiga, datada de 1841. Porém, ao visitarmos o The Hero of Waterloo há algumas semanas para fins jornalísticos (texto na íntegra em janeiro), descobrimos que este sim é o mais antigo, pois foi fundado em 1801 e, durante os primeiros 40 anos, vendia bebida sem licença. Gênios!



Mas descobrimos mais! Com ajuda do meu chapa Steve, o melhor barman de New South Wales, descemos para o subsolo e vimos túneis que ligam o pub à Baía de Sydney (por lá que o rum era contrabandeado). Também vimos correntes em que os bêbados ficavam presos e, quando não eram levados pela polícia, eram jogados, ainda de porre, nos navios. Ao acordarem no meio do nada, tinham duas opções: se juntarem à tripulação e trabalhar, ou serem jogados aos tubarões (acreditem, as águas daqui fazem o litoral do Recife parecer aquário de criancinha).







Infelizmente, os tempos são outros, mas o pub ainda guarda muita história. A principal delas é esta simpatissísima senhora, Valda Marshall, 81 anos, cantora, saxofonista e trompetista da Old Time Jazz. Até os 19, 20 anos, quando se casou, música nunca fizera parte da vida dela. Mas o matrimônio não deu certo, a dor foi imensa e a saída para o sofrimento foi a música. Valda começou a aprender aos 25 anos e está até hoje, fazendo uma sonzeira incrível, tomando sua tacinha de vinho nos intervalos e lecionando diariamente a matéria “Envelhecendo com Arte - Avançado”.



Ela é um dos últimos elos de um passado boêmio e musical que infelizmente já não existe mais por aqui. Primeiro porque na Austrália não se passa mais a noite bebendo em bares e pubs – só em clubs de música eletrônica, o que é um inferno – segundo porque todas as pessoas desta época já morreram ou não estão mais na ativa.

Mas, claro, um pub e uma banda como esta sempre atraem figuras inusitadas, daquelas de cinema, e no último domingo não foi diferente. Eles eram uma espécie de Gordo & Magro que faziam um pouco de tudo: cantavam, dançavam, não tomavam leite e tiravam sarro um do outro. Em resumo, roubaram a festa. Como de praxe, interagimos com as peças, viramos amigos de pub e descobrimos que um deles (o mais magrinho) é um escocês pai de um australiano tricampeão mundial de boxe. Só isso!





Fechamos a festa com eu falando para a nobre senhora que, assim que começar a escrever em inglês com propriedade, farei a biografia dela, enquanto o escocês passava de mesa em mesa oferecendo wedges com sour cream e sweet chilli sauce para todo mundo. Quem é louco de recusar um petisco oferecido pelo pai de um tricampeão mundial de boxe?



Isso é The Rocks, o bairro mais antigo da Austrália, lugar onde, por décadas, bêbados, prostitutas, ex-prisioneiros britânicos, artistas, gangues e piratas conviviam da maneira mais desarmônica possível, ou seja, mais divertida. Portanto, nada como The Rocks para celebrar 32 anos no mundo a passeio.



Valeu, galera, por terem ido e pelo canhão!



Lecão, valeu por ter escolhido o canhão (tremendo vinho e o senhor não vai tomar)!