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Thursday, April 7, 2011

Blog de cara nova

Como podem ver, o blog está de cara nova - resultado da parceria com o web/graphic designer Felipe Guedes (terceiro banner na direita). O bom desse novo layout, além de dar uma cara mais profissional (apesar de continuar totalmente pessoal), é o fato de uma vez por todas esclarecer a dúvida que volta e meia aparece:

- Pablo, o que esse "terceiro continente à sua escolha" aí em cima significa?

A resposta está aqui no lado esquerdo, ao lado dos mexilhões fotografados pelo Guilherme Infante (sim, tinha que ter uma chapa do Guilherme no novo layout).

Toda pessoa que, durante intermináveis horas, debruçou-se sobre um tabuleiro do jogo War em algum momento dos anos 80, com certeza tirou o objetivo "Conquistar na totalidade a Europa, a América do Sul e mais um terceiro continente à sua escolha".

Pois bem, olhe o embate abaixo e me diga: se você fosse as peças pretas e tivesse o objetivo acima, qual seria o terceiro continente que tentaria conquistar?



Se a sua resposta não foi Oceania, me perdoe, mas você não esteve neste planeta entre 1981 e 1990. Bornéu, Sumatra, Nova Guiné e Austrália fazem parte do continente que é, disparado, o mais fácil de ser conquistado e o mais estratégico para ser defendido. A Austrália, por sinal, é praticamente um gigante descansando, uma geradora de duas peças a cada nova rodada.

Ou seja, como PablitoAustralia é relacionado a tudo o que acontece por essas bandas, mas sob a minha perspectiva de brasileiro/xavante/uruguayo de mierda (con sotaque), o objetivo do blog é trazer as penúltimas que rolam no terceiro continente à sua escolha, mas sempre Made in Brazil.

Wednesday, April 6, 2011

3 mil visitas e 2 sonzeiras

Hoje é um dia especial para o PablitoAustralia. Pela primeira vez, o nosso glorioso Google Analytics registrou 3 mil visitas num mês - além de 4.449 pageviews, o que para um blog pessoal é muito significativo.

Mais! Dessas 3.008 (para ser exato) visitas, 1.450 são da Austrália e 1.401 do Brasil, o que mostra que o interesse tem crescido proporcionalmente nos dois países. A todos vocês que acompanham o blog, participam, aparecem e aos parceiros All Tax e AcademiesAustralasia, muitíssimo obrigado.

Pra comemorar, nada como duas dicas de boa música ao vivo que rola nesta quinta-feira, 7 de abril, tanto cá quanto lá.

Começando por cá, daqui a pouco, a partir das 19h30, o Abuka se apresenta no Deck 23 (2/23 The Strand), em Dee Why, nas Northern Beaches. Sandrão e Tiago passarão pelo repertório de clássicos da mpb e sons originais que o Abuka tem mostrado em lugares como Opera Bar, Hugo's Lounge e Casa do Mau (ops), entre outros.

Pra ouvirem, por aqui!

Já no Brasil, em São Paulo, o Dee and Us lança seu álbum de estreia, Gold, a partir 23h, no Bar Secreto. Com esse nome, obviamente, não falarei onde é. Porém, como não sou tão ruim assim, segue link com algumas pistas. Caso ainda não conheçam, o Dee and Us é o novo projeto do músico e produtor Tom Saboia com a cantora Mariana Dias.

Pra ouvirem, por aqui!

E mais uma vez, muito obrigado por seguirem, acompanharem etc. Gostaria de agradecer uma leitora em especial, a Turquezza, que não conheço pessoalmente mas está sempre ligada no blog e comentando.

Valeu!

Sunday, April 3, 2011

Direto da redação

Semana começando, seguem duas notícias:

Segundo o Geoscience Australia, um terremoto de 6.7 de magnitude atingiu o sul da ilha de Java, Indonésia, às 6h06 dessa manhã (horário de Sydney) - 3h06 (horário local). Junto com o tremor veio o alerta de tsunami, conforme o amigo Geraldo Maribondo (foto abaixo) escreveu no Facebook:

"Com a iminente possibilidade de Tsunami em Bali estou correndo para as montanhas mesmo sabendo que vou dar de CARA com os VULCOES...se correr o bicho pega se ficar o bicho como...seja o que DEUS quiser!!!"

Boa sorte, Geraldo, e siga as elefoas! Acompanharei por aqui seus posts e também repassarei informações do Australiana Tsunami Warning Centre e outros órgãos.

Por ora, em relação à riscos para a Austrália, não há nada. Nem mesmo em Christmas Island, território australiano muito próximo à area afetada que é usado como prisão.


**
E já que o assunto é o planeta Terra, vejam o que acontece quando um diretor de escola que atende pelo nome de Joselito resolve levar um visitante das antigas para interagir com as crianças. Isso ocorreu na escola pública daqui de Bondi, aquela da feirinha dos domingos. Cortesia do Channel 10 (reparem no menino rezando)!




Friday, April 1, 2011

Fim da fanfarra de verão (ops, horário)

Termina daqui a algumas horas o horário de verão mais fanfarrão do planeta. Sim, meus amigos e minhas amigas, o horário na Austrália dura 6 meses e é, sem sombra de dúvida (ops, sem trocadilho), o mais fanfarrento do mundo.

Importante: você ouviu certo, seis-me-ses!

Mr Daylight Saving termina na madrugada deste sábado para domingo, às 2 da manhã, hora em que você deverá atrasar o seu Rolex da Chinatown em uma hora.

Mas atenção, isso serve somente para New South Wales, Victoria, South Australia, Tasmania e Canberra, cuja diferença em relação ao Brasil volta a ser 13 horas.

Queensland, Northern Territory e Western Australia não participam, portanto, o fuso continua o mesmo, exceto em Western Australia, o estado mais distante de todo o universo, que permanece com 27 horas em relação ao Brasil, 21 da Nova Zelândia, 16 de Sydney e 4 horas de Marte.

Thursday, March 24, 2011

Coluna Vatapá com Shiraz - Feira de vinho

By Pablo Nacer

Paulinho, no ultimo final de semana, fui à International Wine Fair, feira de vinho da Vintage Cellars, uma das melhores lojas especializadas de vinho do terceiro continente à sua escolha. E, claro, lembrei das feiras que íamos em São Paulo.



Diferentemente do que você escreveu no seu blog sobre o governo brasileiro em relação aos vinhos nacionais (aqui), que dificulta ainda mais a vida do vinhateiro no Brasil, por aqui a relação é outra. O governo na Austrália tem como princípio ser parceiro, e não inimigo, e isso reflete-se claramente na indústria.

A proteção é tanta para os produtores locais, assim como o incentivo, que a gente acaba tomando uma proporção infinitamente superior de vinhos australianos em relação aos importados (exceto neozelandeses). Por um lado é bom, já que o vinho acaba sendo realmente barato para o consumidor, que acaba prestigiando a indústria nacional. Mas por outro é ruim, pois a oferta de importados aqui é muito baixa se comparada, por exemplo, com a que temos no Brasil. E confesso que sinto falta! Por isso, não perco por nada essas feiras internacionais.

Na desta semana, de cerca de 40 produtores, 3/4 eram estrangeiros, o que foi muito bacana. E tendo um stand da Pommery, não tinha como não começar por ele. Dos cinco que provei, o Heidsieck & Co Monopole NV a $49.99 é simplesmente fantástico e o preço é excelente. Já o Pommery Vintage ($109.99) e o Louise Vintage ($284.99) são dois canhãozaços mas fora da nossa realidade por aqui.

Para não me estender muito, listarei alguns destaques por ordem de preço para o público que acompanha a nossa coluna na Austrália. Com exceção do Nederburg Pinotage, que só deve chegar em maio, os outros já estão disponíveis na Vintage Cellars:

Casa Santos Lima Bons-Ventos Rosé (Portugal) - $9.99
Nederburg Pinotage (África do Sul) - $11.99
Casillero del Diablo Chardonnay (Chile) - $14.99
Rosabrook Margaret River Cabernet Merlot (Austrália) - $16.99
Dry Valley Estate Awatere Sauvignon Blanc (Nova Zelândia) - $17.99
Burgans Rias Baixas Albariño (Espanha) - $18.74
Wente Vineyards Beyer Ranch Zinfandel (Estados Unidos) - $19.99
Ruffino Aziano Chianti Classico (Itália) - $24.99
Ruffino Santedame Chianti Classico (Itália) - $29.99
Château Franc-Pérat Grand Vin de Bordeaux (França) - $ 27.49
Casa Santos Lima Touriz (Portugal) - $ 27.49
Norton Privada Malbec (Argentina) - $39.99

E aí na Bahia, Paulo, tem umas feiras bacanas em Salvador ou você precisa ir para outras capitais? E como as lojas estão trabalhando na nossa Ilhéus e Cacau em geral? Achamos vinhos bacanas com preços justos por aí?

Abração!

**

By Paulinho Martins (http://www.paulinhomartinscsg.blogspot.com/)

Cara, faltam feiras de vinhos no Nordeste. O mercado consumidor de vinhos no Brasil já é uma realidade, mas a coisa ainda está muito limitada entre a região sul e sudeste. Aqui pra cima ainda estamos limitados ao Nordeste Gourmet. Evento do Edinho e da Lícia.

Não que o Nordeste não beba vinho. Quando cheguei aqui, eu ouvia que, quem vem para o Nordeste, não quer vinho, quer cerveja e caipirinha. Realmente! Mas espumantes, brancos e roses, a cada dia, ganham mais espaço devido ao clima. E tinto é tinto! Quem bebe vinho bebe tinto. É inevitável.



Salvador já é bom! Todo mundo trabalha por lá: Mistral, Decanter, Expand, Gran Cru e Enoteca. Nacionais acha todos. E nos restaurantes a oferta está cada vez melhor.

Aqui na Costa do Cacau o trabalho ainda é de formiga, mas está caminhando. Pra mim, é nítido o quanto o mercado está evoluindo no quesito vinho e me sinto, sem falsa modéstia, um pouco responsável por isso. Primeiro pelo fato do meu CPF ser responsável por quase 5% do consumo de toda a região. Segundo porque Fernando Costa e eu estamos há anos colocado de forma quase catequizadora na cabeça dos proprietários de restaurantes, hotéis e casas do segmento o quanto é importante ter o produto vinho no negócio. O quanto é mais gostoso comer com vinho. O quanto é mais saudável, o quanto é mais leve e o quanto isso valoriza a sua comida e, consequentemente, o seu negócio.

Assim, estamos com algumas dezenas de lugares onde podemos sentar e beber. Continuamos limitados, mas estamos evoluindo.

Em Itabuna o lugar é o Empório Bahia. É a melhor adega da região. Em Ilhéus o Bataclan está na frente e o jantar na adega é imperdível. Os melhores preços!

O La Provence, do Hermano, faz um bom trabalho, tem boa infra-estrutura de armazenamento, mas precisa de mais rótulos.

Entre os restaurantes, o Casa Sapucaia possui a melhor carta de Itacaré, enquanto que o Maróstica e o Manjericão (em Ilhéus) têm boas cartas.

Preço bom? Esse é nosso principal problema. O governo da Bahia cobra uma alíquota absurda para produtos importados oriundos de outros estados. Algo perto de 43%. Ridículo! Para você ter uma ideia, estou lhe escrevendo agora do Aldeia da Mata, um hotel bacana aqui de Itacaré. Estou pagando R$ 90,00 em um Alamos Malbec. Dá para acreditar? Coisa de louco! Vatapá com Shiraz!

Grande abraço!

Colunas anteriores
Vatapá com Shiraz - Bares e Igrejas
Vatapá com Shiraz - Estreia

Sunday, March 13, 2011

Alguma coisa está fora da ordem

Que a Austrália tem uma das faunas mais bizarras do planeta, todos sabem: crocodilo gigante de água salgada, ornitorrinco, blue jellyfish, algumas das cobras e aranhas mais letais do planeta, enfim, tem até um marsupial que não anda... pula.



Já São Paulo, notória selva de pedra, não é conhecida por sua fauna, mas ainda guarda espaço para algumas bizarrices provenientes do mundo animal. Uma delas foi captada pelo meu pai no último final de semana, em seu apartamento em plena Vila Olímpia. Na chapa acima, o que está no Manual da Mãe Natureza. Abaixo, seja lá o que isso significa!

Friday, March 11, 2011

CarnaCoogee 2011 - Tudo o que você precisa saber

Daqui a pouquíssimas horas começa o CarnaCoogee 2011, no Coogee Bay Hotel, em Sydney, e a festa promete. Pelo que estou vendo na janela, hoje São Pedro despertou com abadá, pois o céu está uma beleza (como diriam os mais antigos) e a temperatura subindo.

Balu Gimenez, organizador do CarnaCoogee e presidente de honra do que um dia será conhecido como Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos dos Eastern Suburbs, agradece!

A festa começa oficialmente às 13h, no beer garden, aquela área ao ar livre de frente para o mar. Entrada grátis! Ali serão montadas barracas de comes e bebes, incluindo churrasco, feijoada, pastel, crepe e caipirinha. A programação, que terá DJ's até às 21h, inclui:

15h Chorinho
16h30 Capoeira
18h30 Zumba (whatever it means)

Desde o início da tarde rolará o CarnaBaby, ideia de um grupo de mães que levarão seus filhos fantasiados. Dica: se você for com os seus, pirata, marinheiro, fada, Colombina, Captain Cook e Ronaldinho Gaúcho continuam em alta em 2011.

Às 21h, a festa vai para o Selina's, aquela área interna do Coogee Bay. A entrada é $25 (com direito a abadá). Lá dentro a coisa vai esquentar e a programação inclui:

22h30 Samba Australia
23h30 Bloco apresentando o nosso samba enredo
24h Marchinhas
1h20 Axé e sambas enredo do Rio de Janeiro
2h40 Bruta-montes do Coogee Bay começam a acabar com a festa
3h Fim da festa (até porque ninguém é de ferro)

Domingo de cinzas



Acima está o ensaio do bloco, para você já pegar a melodia, abaixo a letra com a explicação frase a frase e, ao centro, ou seja, neste link aqui, a entrevista que dei ontem na rádio SBS sobre tudo isso que escrevi até agora e um pouquinho mais (obrigado pelo espaço, Rafa).

Do Capitão Cook ao Mate - É carnaval no Coogee Bay
(Andrezinho Souza / Pablo Nacer)

How are you bro?
How's going mate?
É carnaval vem sambar no Coogee Bay!

How are you bro?
How's going mate?
É carnaval vem sambar no Coogee Bay!

Austrália querida, continente tão distante
(sim, gostamos da Austrália e é longe pra chuchu)
Terra de beleza fascinante
(sim, é linda)
Sua história vou contar
(é o que todos os sambas enredo fazem, contam alguma história, em geral com índios, negros, caravelas e portugueses, mas não necessariamente nesta ordem)

Capitão Cook, o primeiro
(obviamente ele não foi o primeiro, os chineses estiveram aqui em 1422, os holandeses em 1600 e pouco e os aborígenes estão há mais de 40 mil anos, mas sendo o descobridor oficial do país, vamos relevar)
Enviado por George III
(esse rei, que o enviou, era completamente louco, rivalizava com a nossa rainha dona Maria I, a Louca)
Aportou no Rio de Janeiro
(sim, a expedição que resultou no descobrimento da Austrália passou pelo Brasil, ficando uns dias no Rio de Janeiro)
De lá, pit stop na África
(sim, do Rio deu uma passadinha na África do Sul, parada oficial da rota Atlântico-Índico)
Em Fiji, o céu observar
(além de galardo dos mares, Cap. Cook também era astrônomo, e um dos objetivos da viagem era justamente observar o céu de Fiji)
E ao sul, Austrália desbravar
(o objetivo principal da missão)

O branco e o negro
(todo samba enredo precisa ter o branco e o negro)
O bretão e o índio
(todo samba enredo precisa ter índio e, no caso da Austrália, o bretão substituiu o português, também obrigatório)
O choque cultural
(num português direto: deu merda!)
O aborígene chorando
(sobrou para os silvícolas)
O inglês sorrindo
(a lei do mais forte - desde que inventaram a pólvora)
É o tema para o nosso carnaval
(frase usada em todos os sambas enredo para proporcionar a chamada liga)

O branco e o negro
O bretão e o índio
O choque cultural
O aborígene chorando
O inglês sorrindo
É o tema para o nosso carnaval

Colonizadores,
Na maioria, prisioneiros
(como todos sabem, para colonizar essa terra tão distante, a Inglaterra não mandou a realeza, nem mesmo os burgueses, e sim, os condenados e prisioneiros)
Trouxeram rum e cerveja
(não só trouxeram como movia a economia informal através do contrabando de rum, The Rocks está aí para nos mostrar)
Dor de cabeça com coelhos
(uma das ideias mais estúpidas já passada pela cabeça de um colonizador, para matar não sei qual espécie, criaram uma das maiores pragas já surgidas no hemisfério sul - e ainda tiram sarro dos portugueses)
1850, corrida do ouro
(sim, aqui, a exemplo dos Estados Unidos, também tivemos a corrida do ouro, que foi aproximadamente de 1850 a 1890 e proporcionou às bases do desenvolvimento econômico de Melbourne, outras partes de Victoria, NSW e...)
Camêlos do Afeganistão
(...Western Australia - com um imenso deserto no meio, foi preciso importar camêlos do Afeganistão para fazerem a travessia)
Século XX, fim da colônia
(com o país prosperando em função do ouro, era hora de deixar de ser colônia)
E a constituição
(e firmar a primeira constituição, em 1901)

E hoje, nação multicultural
(até 1974 era extremamente discriminatória, mas foi mudando aos poucos e a tendência é ser cada vez mais multicultural)
Um paraíso sem igual
(é um paraíso e de fato não tem igual)
Eu vou pro Coogee
(eu não ia, mas acabo de cancelar a viagem para Melbourne, portanto, eu vou para o Coogee)
Brincar o Carnaval
(sim, pra brincar o carnaval, tipo folião)

E hoje, nação multicultural
Um paraíso sem igual
Eu vou pro Coogee
Brincar o Carnaval

Saturday, February 19, 2011

Pedro Barros vence em Bondi

"Vou tentar só andar de skate, como eu sempre ando, e vamos ver no que vai dar."


Pedro Barros no Almeidão by Guilherme Infante

A frase é do Pedro Barros, skatista brasileiro de 15 anos, horas antes de entrar no bowl de Bondi Beach, no sábado.

No final do dia, ele, que já havia faturado a etapa anterior do Vans Bowl-A-Rama, na Nova Zelândia, repetiu o feito na Austrália, vencendo pelo segundo ano consecutivo e confirmando que é o grande nome do esporte surgido nos últimos anos.

O Bowl-A-Rama é parte do circuito mundial e leva os melhores profissionais e masters em atividade para as melhores pistas do planeta. E a etapa de Bondi Beach, disputada durante a Fabiana Skate Week, no "Almeidão", é uma das preferidas dos skatistas por toda a atmosfera de Bondi e por ser a mais próxima da praia - sem mencionar as festas no Beach Road, claro, que reúnem uma das maiores concentrações de gatas por metro quadrado do universo.

A competição começou com as baterias classificatórias dos masters, que tinha lendas como os norte-americanos Pat Ngoho e Steve Alba, o neozelandês Lee Ralph, e o gênio Steve "Cab" Caballero, o cara que Tony Hawk tem como ídolo. Não preciso dize mais nada!


Cab by Guilherme Infante

Depois foi a vez dos pros entrarem no bowl, que entre os 24 competidores, teve 5 brasileiros: Fabio Ticara, 34, paulistano que mora em Sydney e também trabalha no Hugo's; Otavio Neto, 31, paulista de São José dos Campos que possui marca própria de skate e acessórios (ON Hardware) e também escreve e faz reportagens para a ESPN Brasil; Nilo Peçanha, 23, carioca que vive em Sydney; Bob Burnquist, 34, o homem, a lenda da rampa; e Pedro Barros, 15, florianopolitano que viveu na Austrália. Além deles, o também conhecido dos brasileiros de Bondi, Nathan "Jimmy" Beck, australiano que competia no "quintal de casa" (este sim pode usar o termo).


Bob no quintal da casa do Jimmy by Guilherme Infante

Entre os 8 profissionais que se classificaram para as finais, dois brasileiros, Bob e Pedro, além do Jimmy. E quem realmente levou ao delírio os espectadores que lotaram o Almeidão e as imediações foi Pedro Barros através de boa variação de manobras e giros no ar executados com extrema precisão - o cara é realmente um fenômeno e já cravou seu nome na história do skate.


Pedro Barros by Guilherme... Infante

A seguir, classificação final e entrevista exclusiva:

Masters
1. Steve Caballero
2. Mik Mulhall
3. Lester Kasai
4. Nicky Guerrero
5. Sergie Ventura
6. Pat Ngoho
7. Sasha Steinhorst
8. Steve Alba

Pro
1. Pedro Barros
2. Rune Glifberg
3. Bucky Lasek
4. Bob Burnquist
5. Renton Millar
6. Narthan Beck
7. RJ Barbaro
8. Nolan Monroe

Entrevista com Pedro Barros


Pedro Barros e o gravador comprado junto com o ar-condicionado e o rádio relógio da redação by G.I.

Você chegou a morar na Austrália?
Morei por três anos em meio na Central Coast e também em Caloundra, na Sunshine Coast.

Você começou a andar de skate na Austrália ou no Brasil?
Comecei no Brasil, mas quando cheguei na Austrália e vi todas as pistas perfeitas, foi quando comecei a aprender melhor todas as manobras.

Você começou com quantos anos?
Desde que eu estava no carrinho.

O seu pai andava de skate?
Meu pai começou junto comigo, e eu tenho um amigo até hoje, o Leo Kakinho, que é skatista profissional, e ele que apresentou tudo.

Fala sobre o bowl que o seu pai construiu na sua casa, em Floripa.
Todas as casa que a gente teve as pistas foram construídas antes da casa, então a gente tem um bowl, um half, a gente está sempre tentando construir pistas novas. Esse bowl é novo, tem dois anos, e tá liberado pra quem quiser andar.

E pra hoje, você é um dos favoritos, o que tem em mente?
Vou tentar só andar de skate, como eu sempre ando, e vamos ver no que vai dar.

Agradecimentos especiais: Fabiana Almeida, Sasha Steinhorst e Guilherme Infante.

Wednesday, February 16, 2011

Fabiana Skate Week - Bowl-A-Rama 2011

Começou!

O Vans Bowl-A-Rama, também conhecido como Fabiana Skate Week, etapa do Mundial de skate, invadiu Bondi tazendo a elite do esporte, incluindo alguns brasileiros.



Importante: a exemplo do campeonato de aéreos de surfe que rolou no ano passado, é terminantemente proibido tirar fotos com o Bob Burnquist, por exemplo, e a praia de fundo, e postá-las no Facebook com a legenda: "Eu e Bob no quintal de casa".

A única pessoa que pode usar o termo "quintal de casa" é o Pedro Barros, fenômeno de 15 anos que nasceu em Floripa, viveu alguns anos na Austrália e, atualmente, tem um bowl para treinar e se divertir com os amigos no quintal de sua casa, na ilha. Pra quem não conhece, ele é um dos maiores nomes do esporte na atualidade, está quebrando absolutamente tudo e no sábado passado venceu o Bowl-A-Rama de Auckland, na Nova Zelândia, a primeira etapa do Mundial. Repetindo: 15 anos.

Para ver o vídeo da vitória em solo neozelandês, o melhor lugar é o blog do Otavio Neto, dentro do site da ESPN Brasil (aqui). Otavio Neto é uma das figuras mais conhecidas e carismáticas do circuito. Além de grande skatista - foi quinto no ranking mundial de 2005 -, esse paulista de São José dos Campos também tem marca própria de skates e acessórios, e é fotógrafo profissional. Ao lado do cinegrafista Anderson Tuca, outro apaixonado pelo skate e igualmente figuraça, Otavio registra todas as viagens que faz pelo mundo e publica através de textos no blog, na revista Tribo e também em vídeos para a ESPN Brasil.


Fabi, Tuca, Nilo e Otavio.

Agora a pouco, estive lá com a dupla, além, é claro, da dona da festa, Fabiana Almeida, e dos skatistas Nilo Peçanha e Nathan "Jimmy" Beck. Nilo, 23 anos, é um bom exemplo para os brasileiros daqui. Vivendo há praticamente um ano na Austrália como estudante, o cara deu aquele tapa no inglês, vem treinando pra caramba e, a partir deste ano, começa a correr o circuito mundial com os tops do planeta. Ele em breve volta a morar no Brasil, mas ano que vem certamente estará de volta - com visto de trabalho - para competir e tentar vencer a etapa de Bondi.



Já o Jimmy (foto acima), um dos maiores faladores de "tudo bem" de Sydney, é um australiano que namora uma amigona nossa, Lili "Pacha Mama", e é um dos favoritos para este final semana (palavras do Otavio, não minhas, portanto, tem credibilidade). Hoje ele não estava muito afim de ir para o bowl, queria descansar, mas com alguns fotógrafos de jornais locais pedindo para fazer umas chapas, Jimmy foi à labuta e fez algumas manobras que levantaram o público que assistia no quintal da casa dele (sim, o cara é local). Antes, claro, sabendo que Pablito Austrália está repleto de patrocinadores, não perdeu a oportunidade para mostrar o tênis novo (espero receber dois pares pela propaganda gratuita).



E o negócio é o seguinte, até domingo, muita coisa vai rolar no bowl e no Beach Road Hotel. No bowl, durante o dia, além dos citados acima, nomes como Caballero, Bucky Lasek, Omar Hassan, Rune Glifberg, Sam Beckett, Pat Ngoho, Jackson Pilz, Juergen Horwarth, Renton Miller, Jeff ‘Skunk’ Williams, Curren Caples e Corbin Harris estarão treinando. No sábado, a partir das 9 da manhã, começa o campeonato pra valer, que este ano distribuirá 60 mil doletas norte-americanos em prêmio (tchu-tchín!) e terá telão ao lado, já que a expectativa é de grande público (dica: chegue cedo!). E todas as noites, no Beach Road, vão rolar festas com demos e bandas ao vivo; exposição de artes na sexta com peças feitas pelos próprios skatistas; after party quebradeira com entrada a $20 no sábado; e saideira monstra, das 18h às 22h, no domingo, fechando a Fabiana Skate Week - na torcida para que algum brasileiro ou o Nathan seja campeão!



Ah! Esta madrugada algum discípulo de Juneca Pessoinha deu o ar da graça e pichou o bowl. A pergunta: pra quê???

Para mais informações, visite o site oficial.
Volto com mais posts e fotos nos próximos dias.

Tuesday, February 15, 2011

Ensaio do Bloco - Samba Enredo



O carnaval está chegando e com ele a segunda edição do CarnaCoogee, o carnaval do Balu no Coogee Bay Hotel, em Sydney. A festa será dia 12 de março, num esquema gigante que começará às 13h e vai até às 3 da manhã.

Até às 21h, a fanfarra vai ser no Beer Garden, ali fora com vista pro mar, com batucada, dj's, bandas e muito mais! A partir das 21h, a festa entra para o Selinas, que será transformado num salão de carnaval. O acesso ao Beer Garden é grátis, ao Selinas $25 (abadá incluso).

Sim, minhas amigas, meus amigos, o Balu é um tremendo fanfarrão e não só encomendou abadás, como também criou o primeiro bloco de carnaval de Sydney, o BlóCoogeeLoko, que a partir de amanhã, até o CarnaCoogee, ensaiará toda semana, no Coogee Bay. Entrada grátis!



A ideia é a seguinte, se você toca percussão ou gosta de bater lata, vá ao Coogee amanhã e faça parte da bateria, que começará a ser formada. Se você gosta de samba, de sambar ou de ambos, não perca amanhã, pois além de muita música, também será apresentado oficialmente o samba enredo do CarnaCoogee 2011, composto pelo Andrezinho e por mim.

Segue a letra!

Do Capitão Cook ao Mate - É carnaval no Coogee Bay
(Andrezinho Souza / Pablo Nacer)

How are you bro?
How's going mate?
É carnaval no Coogee Bay!

How are you bro?
How's going mate?
É carnaval no Coogee Bay!

Austrália querida, continente tão distante
Terra de beleza fascinante
Sua história vou contar

Capitão Cook, o primeiro
Enviado por George III
Aportou no Rio de Janeiro

De lá, pit stop na África
Em Fiji, o céu observar
E ao sul, Austrália desbravar

O branco e o negro
O bretão e o índio
O choque cultural
O aborígene chorando
O inglês sorrindo
É o tema para o nosso carnaval

O branco e o negro
O bretão e o índio
O choque cultural
O aborígene chorando
O inglês sorrindo
É o tema para o nosso carnaval

Colonizadores,
Na maioria, prisioneiros
Trouxeram rum e cerveja
Dor de cabeça com coelhos
1850, corrida do ouro
Camêlos do Afeganistão
Século XX, fim da colônia
E a constituição

E hoje, nação multicultural
Um paraíso sem igual
Eu vou pro Coogee
Brincar o Carnaval

E hoje, nação multicultural
Um paraíso sem igual
Eu vou pro Coogee
Brincar o Carnaval

Tuesday, February 8, 2011

IELTS - Considerações Finais

O que mais havia me irritado quando não passei no primeiro teste do IELTS foi ter desperdiçado uma excelente chance, uma vez que grande parte dos temas que caíram eram familiares. Eu sabia que na próxima prova dificilmente teria temas tão fáceis e isso poderia complicar. Por outro lado, a experiência de ter feito uma sempre ajuda.

Há três semanas, fui para a segunda tentativa. Não sei o motivo, mas eles separaram a prova em dois dias, começando numa quinta-feira. Pelo menos, o lugar não poderia ter me deixado mais à vontade: um bar/tab dentro de um racecourse (traduzindo para os amigos no Brasil: onde se bebe e aposta numa corrida de cavalos).

A largada foi dada com o listening. Como havia tirado 7.5 de 9.0 na anterior, eu estava bem tranquilo, porém, com a lição aprendida anteriormente de que em hipótese alguma poderia subestimá-lo. Ao passar a vista em todos os temas, vi que a sorte não estava tão ao meu lado assim.

Dos quatro assuntos, dois eram complicados. O primeiro era finanças. Eu, que não sei fazer conta, imaginem se sei alguma coisa de finanças... em portugês. Agora imaginem em inglês. O segundo era ainda pior: reciclagem de pneu. A coisa era tão complicada que entrava até em elementos químicos. Detesto carro, odeio trocar pneu e o máximo de química que sei é a existência de uma tabela que só é reconhecida pelo cérebro humano quando cantada por professores engraçadinhos de cursinho.

Mesmo não tendo a menor familiaridade com os assuntos, respirei fundo e coloquei na cabeça que poderia sim errar algumas questões, mas deveria tentar acertar o máximo possível. Parece óbvio, mas nessas situações é muito comum o candidato ficar nervoso, ser tomado pelo pessimismo, desânimo ou medo, e simplesmente deixar o barco à deriva. Uma amigona minha desencanou da prova aí, na largada. Não deveria!

O segredo é: prova de alcoólatra. Não porque eu estava num bar, mas é preciso fazê-la passo a passo, questão por questão, sem baixar a cabeça pelo que fica pra trás ou que vem pela frente (claro, dentro da dinâmica da prova, que é preciso estar ligado em tudo). Quando eu não pegava uma resposta, chutava algo próximo e tentava descontar na próxima. Deu certo! Caí de 7.5 da anterior para 6.5, mas é porque a outra havia sido realmente muito fácil.

A segunda parte da prova é o reading, o fuc^%$g reading, aquele mesmo que era o meu ponto forte e acabou custando toda a prova por 0.5 ponto (em tempo, eu precisava tirar mínimo de 6 em cada parte).

Confesso que quando a prova chegou, as borboletas do estômago começaram a jogar futebol, o que foi bom, pois fiquei ainda mais ligado. Passei o olho rapidamente em tudo e vi que os textos não estavam tão longos e não havia nenhum tema do tipo "a nova economia asiática e a influência no mercado de peixe da Sibéria".

Mais uma vez, optei pela prova de alcoólatra. Fiz questão por qustão, na velocidade necessária mas com uma concentração absurda. E foi essa concentração - no lugar de subestimar - que fez a diferença, pois em algumas questões, após ter anotado o resultado, voltei atrás, repensei, repensei de novo, e mudei a resposta, sendo que no teste anterior eu estava mais preocupado em guardar neurônios para o writing e teria seguido em frente. Resultado: pulei de 5.5 para 7.0.

O writing foi praticamente no mesmo nível do anterior, quando eu havia tirado 6.0, porém, na primeira parte, em vez de ter de escrever uma carta formal, era uma informal para um amigo, praticamente um email do dia-dia, o que facilitou a minha vida. Subi para 6.5.

Terminada a prova na quinta, ainda faltava o speaking, que marcaram para a tarde de sábado. Cheguei levemente fanfarrão, pois tinha em mente que o pior já havia passado, e um professor/examinador do próprio IELTS havia me falado que dificilmente latinos e europeus não alcançam 6 no speaking, o problema é mais com os asiáticos por causa da pronúncia. Porém, como havia aprendido a lição 11 com o fuc%$^ reading na prova anterior, respirei fundo antes de entrar na sala, deixei as borboletas confabularem e encarei a mulher.

A anterior era uma gata, essa não. Pior, ela era mais séria e daquelas simpáticas falsas do sorriso de mentirinha. Ou seja, rolou uma intimidação e eu caí na besteira de tentar dar respostas um pouco mais profundas, me prendendo mais no conteúdo do que na maneira de dizer, o que é um erro quase fatal.

No speaking do IELTS, o examinador não está nem aí para o que você pensa, qual é o seu ponto de vista sobre a situação política do Egito ou da Irlanda do Norte, ele só quer avaliar a sua fluência no inglês e o seu vocabulário. Se precisar mentir, matar irmão, cunhada, falar que é filho do Bill Gates, não tem problema, desde que o faça pronunciando claramente e com uma gramática minimamente aceitável.

O assunto no final foi pra religião, eu me empolguei, comecei a falar um monte de abobrinha, depois fiquei preocupado se estava ofendendo as convicções religiosas da examinadora, tentei recuar, perdi o fio da meada, travei, precisei parar, recomeçar, enfim... senti que a vaca poderia ir para o brejo.

Mas graças ao bom Deus e a todos os citados durante o meu infrutífero discurso religioso, agora a pouco peguei o resultado e ela me deu 6.0, meio ponto abaixo do anterior, mas nota suficiente para tornar o capítulo IELTS na Austrália coisa do passado (pelo menos por ora, já que tem prazo de validade).

Para verem as 10 dicas anteriores, cliquem aqui, para verem a dica 11, cliquem aqui, e para quem vai fazer a prova, de coração, boa sorte!

Tuesday, February 1, 2011

Ciclone Yasi - O pesadelo continua em Queensland

Como se não bastassem as inundações em Brisbane e toda a região, agora é a vez do extremo norte de Queensland, entre Cairns e Townsville, sofrer com a força devastadora da natureza.

O ciclone Yasi, de categoria 5 (máxima), já está a caminho, na Grande Barreira de Corais, com ventos de 295km/h que podem passar dos 300km/h esta noite, quando atingir Cairns e Innisfail, cidades que deverão ser mais afetadas. São esperadas ondas de até 7 metros.

Ventos de 180km/h já destruíram o sistema de radar do Bureau de Meteorologia de Willis Island, a nordeste de Cairns, prejudicando o trabalho da estação que ontem mesmo foi evacuada.

Aos moradores que vivem em Cairns e toda a região costeira de North Queensland, e não deixaram suas cidades, a recomendação do governo é para permanecerem em casa. De preferência, no banheiro, a área mais segura das casas mais novas.

Em breve, o fornecimento de água, gás e eletricidade será cortado, as linhas de emergência da região deverão ficar pelo menos 24 horas fora do ar a partir das 22h ou meia-noite, horário previsto da passagem do olho do ciclone, portanto, as famílias e amigos, num primeiro momento, terão de se protegerem por conta própria.

Para o banheiro, devem levar medicamentos, fotografias, roupas quentes, fórmulas para bebês, fraldas, documentos importantes (especialmente de seguradoras), travesseiros, colchonetes, sleeping bags, sacos plásticos impermeáveis e kit de evacuação com baterias novas para rádios e lanternas, luvas cirúrgicas, velas, fósforos, sacos impermeáveis e itens de primeiros-socorros.

Em caso do teto voar, a recomendação é para permanecerem dentro de casa, pois apesar de se molharem é muito mais seguro do que tentar sair na tempestade.

Todos os portos já estão fechados, a maioria dos aeroportos idem, assim como boa parte do comércio e todas as escolas, que não funcionarão mais esta semana.

O mundo como o conhecemos já era. O planeta está sofrendo profundas transformações e a faxina começou. Àqueles cujo únicos valores são o dinheiro, o consumo pelo consumo e os bens materiais está mais do que na hora de repensarem seus valores, caso contrário, em breve estarão sem nada.

Tuesday, January 25, 2011

Australia Day - República e Bandeira

Se você não sabe o que se comemora hoje na Austrália, clique aqui e descubra a origem deste porre cívico. Como é o meu quarto Australia Day, precisamos seguir em frente.

Conforme predito no blog, em 15 de maio de 2010, Jessica Watson, a Amyr Klink de saias, a pessoa mais jovem do mundo a circunavegar o planeta sozinha, sem parar, sem os pais e sem assistência, foi escolhida Young Australian of the Year. No referido post, escrevi que ela seria apontada Australian of the Year de 2011, portanto, bateu na trave.



Todo ano, durante as celebrações, são nomeados o australiano do ano, o mais jovem australiano do ano, o veterano, o herói local, o melhor imitador de canguru, essas coisas. Na foto acima, Jessica fez até biquinho ao posar ao lado do empreendedor e filantrópico Simon McKeon, o grande vencedor de 2011.

Historicamente, o Australia Day sempre traz algum assunto relevante ou polêmica à tona. Neste ano, os temas da vez são república e bandeira. A primeira foi levatada pelo apresentador de tv britânico Michael Parkinson, que discursou a convite do Australia Day Council of NSW, na última segunda-feira, e questionou se a Austráia não deveria se tornar uma república assim que a Rainha Elezabeth morrer ou abdicar do trono. A discussão está no ar e hoje cedo, no rádio, ouvi um ótimo texto de um acadêmico durante um fórum chamado Yes we’re still a monarchy but it’s not my fault.



Quanto à bandeira, o assunto já está pegando fogo. Quize Australians of the Year escolhidos desde os anos 1960 declararam ontem serem a favor de uma nova bandeira para o país. Isso mesmo! Existe uma organização chamada Ausflag, que luta pela adoção de uma bandeira "verdadeiramente australiana", refletindo muito mais valores genuinamente australianos do que a atual. E esta mudança também iria na direção da adoção da república. Abaixo, é só uma ilustração, e não uma sugestão, baseada na bandeira aborígene e no principal símbolo do país.



Polêmicas à parte, o país amanheceu hoje com duas boas notícias. A primeira veio do Catar, com a seleção australiana de futebol goleando o Uzbequistão por 6 a 0, pela semi-final da Asian Cup, e classificando-se pela primeira vez para a final (é a segunda participação da Austrália no torneio). Os Socceroos disputarão a grande final na madrugada de sábado para domingo, contra o Japão.



E de Hollywood, três atores australianos foram indicados ao Oscar 2011. São eles: Jacki Weaver (melhor atriz coadjuvante por Animal Kingdom), Nicole Kidman (melhor atriz por Rabbit Hole) e Geoffrey Rush (melhor ator coadjuvante por The King's Speech).



Happy Australia Day!

Monday, January 17, 2011

Queensland e Rio de Janeiro - Lições para o Brasil

Se tem algo que muitas vezes atrapalha na vida é a expectativa. Quem nunca foi assistir a um filme com uma expectativa tão alta que, mesmo tendo sido bom, saiu decepcionado, já que esperava mais? O mesmo acontece em um show, uma partida de futebol, uma festa, um encontro, enfim, quanto maior a expectativa, maior a chance de frustração. Mas ela também pode ser uma boa aliada.

Há dois verões, quando o estado de Victoria, sul da Austrália, se tornou um verdadeiro inferno com incêndios se espalhando por várias cidades e deixando 173 mortos e 414 feridos, os maiores índices já registrados nos chamados bushfires por aqui, o país aprendeu algumas importantes lições, entre elas que a natureza é imensuravelmente maior e mais poderosa do que os seres humanos. Portanto, é preciso:

1. Respeitá-la.
2. Na medida do possível, tentar entendê-la.
3. Estar sempre preparado para o pior.

No verão passado, o estado esteve em alerta máximo durante toda a temporada, a população recebeu cartilha sobre tudo o que precisava saber sobre os incêndios, como proceder etc e, felizmente, a natureza não foi tão cruel.

No final de novembro de 2010, em algumas regiões do estado de Queensland, norte da Austrália, a população recebeu via SMS alerta dizendo que o verão poderia ser um dos mais chuvosos dos últimos anos.

Conforme dezembro avançou, a certeza de que a estação traria muitos problemas crescia na mesma medida em que o governo, especialmente o estadual, começava a se mobilizar. Na noite de Natal, quando choveu torrencialmente e a água subiu em algumas áreas, medidas já haviam sido tomadas e, mais importante, o alerta da natureza foi rapidamente compreendido. Queensland se preparou para o pior.

Não preciso dizer como foram os dias seguintes, pois o mundo inteiro viu, mas o simples fato de ter uma área maior do que a França e a Alemanha juntas debaixo d'água e somente 20 pessoas mortas, é fruto de um esforço político astronomicamente grande. Sempre aguardando pelo pior, todas as esferas do governo trabalharam juntas com o mais calamitoso dos cenários, e como resultado pouparam dezenas ou centenas de vidas através das evacuações, orientando, auxiliando no preparo para enfrentar as enxurradas, na mobilização para doação, na liberação emergencial de verbas e no próprio salvamento. Agora, 12 mil voluntários estão em Queensland ajudando na limpeza por livre e espontânea vontade, enquanto o governo se prepara para reconstruir as cidades afetadas.

O espírito de solidariedade demonstrado pelo povo australiano tem sido fantástico e certamente o brasileiro possui o mesmo. Sei também que são duas tragédias diferentes, ocorridas em espaços geográficos totalmente diferentes e em períodos de tempo diferentes. E é por isso que a tristeza e a revolta com o ocorrido no Brasil é enorme, pois se na Austrália o governo cumpriu seu papel salvando muitas vidas, no Brasil já se foram mais de 644 pessoas e a grande maioria vítima do descaso e da imcompetência de gerações de políticos que deixaram o país crescer de forma tão desordenada e precária, além do total despreparo para antever e lidar com esse tipo de situação.

Em Areal, no Rio de Janeiro, apesar de quase 1/10 dos 10 mil habitantes estar desabrigado, ninguém morreu. Motivo? Dias antes da tragédia, o prefeito Laerte Calil saiu pelas ruas no carro de uma rádio comunitária alertando os moradores das áreas próximas a rios que evacuassem a cidade. Talvez, se mandasse mensagem de SMS como fez o governo de Queensland, muita gente não receberia ou não entenderia, mas ele deu um jeito de avisá-los e salvou muitas vidas, cumprindo seu papel de homem público. Já os Alckmins e Kassabs da vida, que não estão em seus primeiros mandatos, nada fizeram e no dia seguinte dos alagamentos de São Paulo ainda culparam a chuva. Os dois e toda a classe política do Brasil têm muitas lições para aprender com os episódios do Rio e de Queensland. Mas será que querem?

Saturday, January 8, 2011

Update na geografia de Bondi Beach



No início do verão, escrevi no blog sobre a geografia de Bondi Beach, falando das divisões da areia. Agora, no auge da estação, estou fazendo uma atualização da geografia, uma vez que ontem foi daqueles dias memoráveis.

Joseph Flag, o responsável por criar a bandeira de todos os países do mundo, foi muito feliz quando desenvolveu a australiana, azul em 74.6%.



A Austrália é um país azul. Começando pelo azul do céu, passando pelo azul do mar, temos as Blue Mountains aqui do lado, a cerveja Bluetongue no Hunter Valley, os blue eyes biônicos das "suécias" e, claro, uma das maiores instituições do litoral aussie: a blue jellyfish, também conhecida como blue bottle jellyfish ou simplesmente Physalia utriculus - para nós, cientistas.



Para quem não a conhece, a Physalia utriculus é um nada simpático ser marinho que se alimenta de pequenas criaturas do oceano e possui tentáculos infestados de veneno. Ou seja, encostou, queimou!

Ontem, um dos dias mais insuportavelmente quentes e úmidos da nova década, elas simplesmente dominaram a água, fazendo a alegria dos produtores do reallity show Bondi Rescue, já que a cada cinco segundos alguém saía queimado da água para ser socorrido pelos salva-vidas celebridades e filmados para a próxima temporada do programa.



Como a praia estava lotada, entre o mar e a sala da justiça, quer dizer, a casinha dos salva-vidas, foram colocados duas fileiras de cones para delimitar área que deveria ficar livre de banhistas, facilitando a passagem dos salva-vidas em seus bat-móveis, quer dizer, veículos supersônicos.



Como aquela área é bem na divisão entre Beirute/Palestina e Israel, a princípio achei que se tratava da Faixa de Gaza. Porém, após dez minutos na praia e vendo a quantidade de pessoas retiradas da água com manchas vermelhas pelo corpo, não tive dúvida: Canal da Mancha.

Assim, a geografia atualizada de Bondi Beach no sentido norte-sul começa com Família, Artistas e Família de Artistas, passa por São Francisco/Praia da Galheta, Beirute/Palestina, Faixa de Gaza/Canal da Mancha, Copacabana/Guarujá e termina no Genérico de Ibiza.



I love Bondi!

Tuesday, January 4, 2011

Elvis e o gênio de Northern Territory

Tem coisas que só acontecem na Austrália. Outras, ainda mais específicas, ocorrem somente num território distante e setentrional chamado Northern Territory (NT).



Em termos de tamanho, Northern Territory é a terceira maior divisão federal do país, porém, em termos populacionais, possui apenas uma cidade ranqueada entre as vinte mais populosas da Austrália. Esta é justamente Darwin, a capital, que ocupa a décima sexta colocação com seus 124 mil habitantes (detalhe: NT tem aproximadamente 230 mil que vivem distribuídos numa área de 1,420,970 km2).

Morar em Northern Territory não é pra qualquer um, basicamente por dois motivos: primeiro porque boa parte do território é deserto, o chamado Outback; segundo porque na faixa litorânea, o único lugar onde é possível se refrescar, há crocodilos de água salgada que chegam a seis metros de comprimento.



O resultado dessa equação é simples: quem mora lá, está cagando e andando (literalmente)!

O último caso aconteceu na noite do ano novo, aquela mesma em que boa parte da população vestia roupas íntimas novas, comia lentilha, estourava Champagne, pulava sete ondas e fazia oferendas para Iemanjá.

No Humpty Doo Hotel, em Darwin, Trevor Yeend, um típico aussie aussie aussie oi oi oi, vestindo apenas bermuda e chinelo e montado em Elvis, seu cavalo de estimação, meio de transporte e fiel companheiro, adentrou no estabelecimento e pediu uma cerveja.

Sim, foi isso mesmo o que vocês leram!

O homem entrou no pub montado no cavalo, em pleno reveillon e pediu uma cerveja, a saideira da década. Um verdadeiro gênio!!!

O funcionário se assustou, os diplomatas e embaixadores que estavam no bar caíram na gargalhada e Elvis, à imagem e semelhança da atitude do dono, cagou e andou no Humpty Doo Hotel.

Para não falarem que estou mentindo, a vã tecnologia está aí para me ajudar.

Monday, January 3, 2011

Tubarão e tênis - É janeiro!

Agora sim é janeiro. Mesmo nublado, calor insuportável, cricket e tênis na tv, filas loiras nos mercados de Bondi e, claro, os bichanos chegando.



A foto é de ontem, segunda-feira, em Matarangi Beach, na ilha norte da Nova Zelândia. Na parte de cima, surfistas, na parte de baixo, três simpáticos tubarões de três metros.

Daqui a pouco as aparições começam na Austrália.

E já que o assunto é janeiro, hoje à noite acontece o primeiro grande embate do tênis 2011 por estas bandas. Pela Hopman Cup, disputada em Perth, o sérvio Novak Djokovic, número 3 do mundo e em grande forma, enfrenta o australiano Lleyton Hewitt, ex-número 1 do mundo, atualmente 54 e grande mala.



Vai ser um jogaço (às 21h30 AEDT no Channel Ten)!

E, claro, janeiro, verão e terça-feira são sinônimos de reggae nos Eastern Suburbs. Hoje à noite, o Tropical Heat estreia a temporada 2011 com Errol e Caribbean Soul no Cock n' Bull, a partir das 19h, em Bondi Junction. Entrada grátis!

Sunday, January 2, 2011

Fanfarra Day

Gilberto Gil, em música de Stevie Wonder, escreveu:

Não é Natal / Nem ano bom / Nem um sinal no céu / Nenhum armagedom / Nenhuma data especial / Nenhum ET brincando aqui / No meu quintal

Depois o ex-ministro continua:

Nem carnaval / Nem São João / Nenhum balão no céu / Nem luar no sertão / Nenhuma foto no jornal / Nenhuma nota na coluna social / Nenhuma múmia se mexeu / Nenhum milagre da ciência / Aconteceu / Nenhum motivo nem razão

Uso as palavras de Gil (pegaram o sotaque?) para perguntar: por que cargas d'água hoje é feriado na Austrália?

Não que eu esteja reclamando, longe disso, mas não faz o menor sentido, principalmente pelo fato de chamarem o feriado de New Years Day.

Que eu saiba, New Years Day é o primeiro dia de janeiro, o dia mundial da ressaca. Mas os australianos aproveitam o dia primeiro para curar a ressaca da véspera, depois tomam tudo novamente no dia dois, usam o dia três - hoje, plena segunda-feira - para curar a ressaca de ontem, e somente iniciam o ano de labuta na terça-feira, dia quatro. Pra mim, só há uma explicação: fanfarrice total!

Viva o Fanfarra Day!

Happy New Year








Chapas com moldura de Geraldo Maribondo e sem moldura de Romina Rojo @ Green Point Reserve!

Tuesday, December 28, 2010

Lentilha de final de ano (receita)



Quem, em 31 de dezembro, nunca foi obrigado por uma tia a comer um prato de lentilha (ou ao menos dar uma colherada), que estoure a primeira Champagne!

Lentilha está para o reveillon assim como o perú está para o Natal. Ou seja, estão lá, todo mundo tem uma ideia do porquê, mas no fundo ninguém sabe o real motivo.

A única certeza é o fato de que a nossa gloriosa leguminosa da subfamília Faboideae atrai dinheiro, o que, independentemente do gosto, já é garantia de popularidade.

Algo absolutamente questionável é a geografia da crendice. Numa rápida pesquisa, descobri que o hábito de comer pratos à base da Lens culinaris restringe-se a alguns poucos países sulamericanos como Brasil, Venezuela e Chile. Pensando na renda per capita dessas três simpáticas nações, é para duvidar se realmente lentilha atrai dinheiro. De fato, se ainda der tempo, perguntarei à minha flatmate chocólatra da Finlândia o que se come no dia 31 na Escandinávia. Faz muito mais sentido!

Agora, a pergunta que não quer virar o ano: mas por que cargas d'água lentilha atrai dinheiro (se é que atrai)?

Os mais simplistas dizem que é em função do formato dela, muito semelhante a uma moeda. Os norte-americanizados afirmam veementemente que é por causa da cor - verde dólar em estado bruto. Já os sacanas, sabendo que esta erva de origem asiática é uma trepadeira, fazem a inevitável alusão ao triunvirato que move o mundo: sexo, dinheiro e poder (não necessariamente nesta ordem).

Independentemente do real motivo e sempre pensando na prosperidade geral dos leitores, convoquei o amigo e chef Tercio Raddatz, grande parceiro etílico-gastronômico, para prepararmos uma receita especial com lentilha que fosse fácil para qualquer pessoa fazer em casa e, acima de tudo, deliciosa.



Igualmente empenhado na prosperidade geral dos leitores, Chef, não contente em fazer uma, preparou duas receitas, uma vegetariana e outra bem brasileira, com porco à vontade como ele chamou.

A seguir, as duas receitas. Aproveitem!



Lentilha de final de ano
Para 8 a 10 pessoas

Ingredientes
1kg de lentilha
3 folhas de louro

Preparo
Em uma panela, coloque a lentilha de molho por uma hora. Troque a água, acrescente as folhas de louro e cozinhe. Deixe levantar fervura, baixe o fogo e deixe cozinhar por uma hora ou até a lentilha ficar ao dente.

A partir daí, dividiremos a lentilha em dois pratos, um vegetariano e outro ao mais puro estilo brasileiro com “porco à vontade”.

Vegetariana
1 cebolinha francesa bem picadinha (com a parte branca cortada em rodelas e a verde na diagonal para apresentação)
100ml de azeite de oliva
1 cenoura picada em cubos
1 talo de salsão picado em cubo
100ml vinagre balsâmico
20g salsa picadinha
Sal e pimenta
2 cenouras baby para decorar



Salteie uma cebolinha francesa em azeite de oliva (use uma boa quantidade, aproximadamente 3 colheres), adicione a cenoura, o salsão, a parte branca da cebolinha e deixe cozinhar até os aromas começarem a aparecer. Levante o fogo e acrescente o vinagre balsâmico - quanto melhor o aceto balsâmico melhor ficará o prato - e reduza por um minuto. Escorra uma concha de lentilha cozida anteriormente e acrescente à frigideira. Misture bem e reserve.

Para servir
Acrescente a salsa picadinha, acerte o sal e a pimenta, coloque um pouco mais de azeite de oliva e decore com as cenouras baby e a cebolinha cortada na diagonal.



À brasileira
2 cebolinhas francesas bem picadinhas (com a parte branca cortada em rodelas e a verde na diagonal para apresentação)
1/2kg de toucinho defumado
1/2kg de costelinha de porco defumada

Em uma frigideira, salteie a cebolinha francesa, o toucinho e as costelinhas até seu ponto aromático. Acrescente esse salteado à panela da lentilha, deixe levantar fervura, baixe o fogo e deixe cozinhar por mais ou menos meia hora ou até as costelinhas ficarem macias.DicaPara engrossar o caldo, retire uma concha da lentilha e bata no liquidificador. Acrescente o batido à panela da lentilha e deixe cozinhar por mais alguns minutos.

Sirva como parte da ceia de final de ano.

Vinho
Para acompanhar, depois de conversar com Jana Rodrigues, mulher do Chef que recentemente terminou seu primeiro curso de vinho, fechamos em torno de um espumante feito com a uva Shiraz. Espumante porque é reveillon, Shiraz porque é a cara da Austrália e, claro, combina perfeitamente com as duas receitas.

Se estiver sobrando um pouco de dinheiro, vai no Seppelt Original Sparkling Shiraz 2006 ($27), à venda na Vintage Cellars. Caso não esteja, escolha qualquer outro sparkling Shiraz e coma uns três pratos de lentilha para poder comprá-lo no ano que vem.


Happy New Year do Chef e do Pablito!